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Desenvolvedor Utopia e o Mercado Insasiável. Assim se cria a Síndrome do Impostor.

Cara. Achei que tinha abandonado esse meu Blog. Um tempão e nada de postar. Vida loka essa nossa de profissional de TI.

Nessa vibe aí resolví voltar a postar escrevendo sobre algo que tenho observado muito e realmente me pergunto porque isso não muda. Eu comecei na minha profissão em meados da década de 90 e pra quem for falar que eu sou vovozão da TI já pode ir se f*%%@$@!

Naquela época o mercado cometeu o erro que paga até hoje de estimular que o profissional que sabia de tudo um pouco era o mais valorizado porque como estávamos no início de tudo o cara teria de fazer tudo. Consertar computadores, passar cabos de rede, montar servidores, controlar a rede de usuários e mais. Isso era valorizado nas empresas e esse cara era o full-stack da época. 

Mas hoje, depois de tantos anos o mercado continua pagando por este comportamento pois fica afirmando que não existe mão de obra qualificada. São milhares de anúncios de vagas. Mas também são milhares de profissionais por ai. Ao meus olhos, toda geração, praticamente 80% dos jovens de hoje que estão na versão Y e Z querem ser Desenvolvedores. Virou moda. É como uma extensão de ser “gamer”. Vc tem de ser gamer e se formar em TI, ser programador, hacker, em suma, um fucker!

Mas será que o mercado sabe o que está fazendo? Na minha opinião com certeza não. Hoje, o profissional quer se especializar (ele já queria isso antes). E o mercado também quer especialistas, em tudo!

São anúncios de vagas para Front-end que querem que você saiba Java, Banco de dados, Python, Laravel. São vagas de Back-end que querem que você saiba React, tenha noções de CSS e que tenha o dom de relações interpessoais, seja carismático e que tenha boa habilidade pra trabalhar em equipe. Cara, na boa. Como um desenvolvedor back-end consegue trabalhar hoje numa empresa (principalmente as moderninhas, aquelas com puf e playstation que ninguém usa) sem se isolar com fone de ouvido pra produzir? O mercado continua a estimular frenéticamente que o profissional de TI, no caso deste post Desenvolvedores saibam tudo. As vagas Full-stack estão cada vez mais em alta. Começaram ali, no cantinho, uma ou outra mas agora elas estão em todas as descrições de vagas mesmo que o título seja outro como Front ou back-end. Se não estiver nas descrições explícitas elas se camuflam na sessão mais abaixo, no final. Os famosos “Diferenciais” ou “Você terá um diferencial se souber…” e vem toda a descrição daquilo que faltava pra te transformar num full-stack. 

É claro que existem as mínimas excessões de anúncios, estou falando da maioria mas a maioria é o estímulo de mercado. E ouzo dizer que estes anúncios, são aqueles que perceberam que o profissional anunciado não existe ou que se exitir( pois tem aquele pessoal do futuro que nasce hoje né, aquele pessoal evoluído, que não aprende, apenas lê e entende tudo e aprende em uma semana aquilo que você demora 1 ano pra aprender ou é super-dotado no bom sentido), vai querer receber 20 mil por mês e muda a descrição da vaga para encontrar algo mais realista para sua necessidade porque o prazo está curto, a contratação tem de ser rápida. 

Eu vejo isso demais hoje em dia. A coisa piorou com a onda de terceirização para contratação destes profissionais pelas empresas. Estou falando dos Head hunters que já é moda lá fora e agora no Brasil está se tornando coisa comum. As empresas contratam uma empresa especializada em contratação e aproveitam que estão pagando e abusam das exigências junto a essas empresas, quanto ao profissional a ser contratado de forma que faz com que essas empresas tenham de se virar nos 30 pra conseguir algum profissional que chegue ao MVP (mínimo produto viável) das exigências que as empresas querem. Uma tremenda sacanagem com empresas especializadas que são muito importantes para o mercado, obrigando a fazerem seu trabalho sob pressão da sobrevivência de um cliente focado no impossível.

Não diferente tem os anúncios disfarçados. São aqueles anúncios cheio de frases que parecem ser criadas por Coachers Quanticos. Falando das maravilhas de uma empresa e uma descrição “geek” da vaga mas quando se vai na entrevista a pessoa que faz contigo chega de “terninho psicológico” te tratando de forma mais tradicional possível com aquelas pergutinhas clássicas e toscas de modelos de entrevista criados por pessoas que não fazem a menor idéia do que é ser um Desenvolvedor. 

Quando se entra nessas empresas se descobre na maior parte das vezes que são uma zona, são “A Terra prometida que nunca chega”. Os processos, os prazos, as estimativas, as Sprints e os Kanbams??? porra meu, monitor tivesse 2 metros de área visual não dava pra ver todos os cards. Papéis mal definidos quando o são, pessoas passando por cima de papel dos outros rompendo limites de todos os lados. É tudo uma grande zona na maior parte das empresas mesmo na realidade e você entra num inferno na maior parte das vezes ganhando pouco, vivendo pouco, o puf vazio, a mesa de sinuca impenando por falta de uso, o Playstation já tá cansado de rodar os mesmos jogos porque no fundo poucos usam. Aquele tobogâ. PQP, joga aquilo fora, só ocupando espaço pra foto de instagram. 

O que eu acho disso tudo é que temos um mercado enorme de profissionais com potencial para serem profissionais de desenvolvimento de qualidade, mas que leva tempo, tempo para absorver conhecimento, tempo para conhecer o negócio, tempo para se tornar produtivo. As empresas precisam deixar de lado esse anseio de conseguir milagres pagando pouco e começar a ir no foco de solução dos problemas, cobrar do governo impostos menores ou recorrer a métodos de contratação onde se pague melhor e se perca menos dinheiro com impostos. Elas tem condição de fazer isso. 

O mercado deve parar de obrigar as pessoas, ou melhor, os profissionais tratados neste post como máquinas de trabalhar, de alta produtividade de “Sonho do Kanbam” e começar a focar suas necessidades reais para seus projetos, saber planejar equipes bem estruturadas e fazer delas produtivas da forma correta. 

É necessário qualificar a mão de obra que já existe no mercado mas saber que isso leva tempo e que tudo que podem fazer é ter paciência para que esse quadro mude porque fantasiar que ele vai mudar via anúncios e “Sonhos de Sol e Sarfi”. É necessário pegar profissionais com menos exigências e pagar salários melhores porque não dá pra se tornar um profissional melhor e estudar e aprender mais e mais tendo de se preocupar se vai conseguir pagar suas contas, se vestir, trocar o equipamento de trabalho para poder estudar, pagar cursos nem que sejam online tipo allura, etc. 

Não é necessário criar este tipo de estimulo para que as pessoas corram atrás de qualificação. A pessoa é programador porque gosta, porque é isso que ela quer. Ela vai atrás de aprender coisas novas por conta própria. Essa é a principal característica dos profissionais dessa área. 

Existe muito profissional com potencial por aí. Contratar e anúnciar vagas só de Sênior, Pleno,  é eliminar uma galera descomunal. 

Eu não sou o dono da verdade e este post não procura ser um post da verdade absoluta ou o post impessoal e perfeitinho, cheio de bons modos para tratar esse assunto. Alguém precisa falar sobre essas coisas analisando de um lado, sem essa frescurada de palavras que o mundo está se tornando para falar as coisas. Isso aqui é muito mais um desabafo do que um post qualificado. Inspirado em um amigo indicado que não foi contratado por pura palhaçada pois sei que o cara é bom. E com certeza fica aí os votos de meter o sarrafo se não concordar. Não ligo pra críticas, muitas me fazem rir e as outras, elas me ajudam a crescer. 

Grande abraço raça! 

 

 

 

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